Por Alessandra de Lucca

No bairro da Mombuca, em Guatapará, um prédio público chama a atenção pelo silêncio e pelo tempo que passa sem cumprir sua finalidade. Construída em 2011, a escola municipal que deveria atender as crianças da região nunca foi inaugurada. Em 2026, a obra completa 15 anos — praticamente uma “debutante” que jamais abriu as portas para receber alunos.
Ao longo desses anos, foram investidos recursos públicos significativos na construção e em sucessivas reformas. Ajustes estruturais, manutenções e intervenções pontuais foram realizados, segundo registros administrativos. Ainda assim, o prédio permanece fechado, transformando-se em um verdadeiro elefante branco no município.
A situação é ainda mais sensível quando se observa o perfil da cidade. Com cerca de 8 mil habitantes e arrecadação anual em torno de R$ 55 milhões, o município tem porte suficiente para planejar e executar políticas públicas com maior eficiência. No entanto, a escola da Mombuca se tornou símbolo de um investimento que, até hoje, não trouxe retorno social.
O bairro da Mombuca, junto com Barcelona, Águia Azul, Zucolotto, São Bom Jesus, Recanto dos Pássaros e a área rural, formam um núcleo de aproximadamente 1.200 moradores — parcela significativa da população local. A região está situada entre 13 e 20 quilômetros da vila central de Guatapará, distância que dificulta o acesso diário a serviços essenciais.
Para as famílias da região, a construção da escola representava mais do que um prédio novo: significava proximidade e valorização da comunidade. Quinze anos depois, o que se vê é um imóvel fechado, exposto à ação do tempo e distante da função social para a qual foi projetado.
A indignação da população cresce diante das perguntas que seguem sem resposta clara: por que já foram gastos tantos recursos públicos e a escola nunca foi inaugurada? Houve falha de planejamento? Faltou transparência na aplicação da verba da Educação? Mudanças de gestão comprometeram a continuidade do projeto? Ou simplesmente não houve prioridade para atender essa parcela da cidade?
Enquanto isso, o núcleo formado pelos bairros mais afastados segue à margem das decisões centrais. Para muitos moradores, a sensação é de esquecimento por parte do poder público, apesar da relevância demográfica e da contribuição econômica da região.
A escola da Mombuca permanece como um retrato concreto de um problema recorrente na administração pública: obras iniciadas, recursos aplicados, reformas executadas — mas sem entrega efetiva à população. Em um município de pequeno porte, cada investimento mal aproveitado pesa ainda mais no orçamento e na confiança dos cidadãos.
Quinze anos depois do início da construção, a comunidade ainda espera ver as portas abertas. Mais do que um prédio concluído, os moradores aguardam respostas, responsabilidade e, sobretudo, respeito ao dinheiro público.


